Body Shaming: como parar a espiral de agressão?

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Body Shaming: como parar a espiral de agressão?


Fazer body shaming é o ato de ridicularizar, fazer pouco e humilhar alguém com base na sua aparência. Já ouviste provavelmente falar do fat shaming – que é a discriminação e humilhação de pessoas “gordas” – mas o body shaming é bem mais abrangente.

Pessoas de todos os géneros são humilhadas e criticadas (ou seja, bullying) por terem excesso de peso, por estarem abaixo do peso, por terem uma incapacidade, por serem feias, por serem bonitas... e isto tudo de acordo com o que a sociedade dita que é o desejável. A verdade é que o ciclo de abuso nunca para. Somos nós, enquanto sociedade, que temos de colocar um ponto final neste abuso.

No entanto, há algo ainda mais perigoso (porque é mais silencioso) do que fazer body shaming a alguém: é quando o fazemos a nós próprios. Infelizmente, o ódio ou desprezo por si próprio é algo tão internalizado hoje em dia que até está quase normalizado. E, por isso, passa despercebido. Mulheres de todas as idades têm sido as vítimas históricas deste tipo de abuso e autodesprezo – como tu muito provavelmente sabes.

Cada vez que te recusaste a usar um bikini numa festa na piscina porque te sentias “demasiado gorda”, cada vez que escondeste a tua magreza debaixo de roupas largas, cada vez que deixaste de comer algo pelas calorias, ou que te mataste no ginásio para conseguir aquelas “curvas”, sempre que te chamaste feia ao espelho… estavas a fazer body shaming a ti mesma. E isto tem de parar.

Mostra carinho por ti mesma. Para o body shaming!

O teu corpo já passou por tanta coisa. É uma parte inerente de ti. Trouxe-te até aqui. Sobreviveu alturas difíceis, e levou-te até aos momentos mais felizes. Tu não és só um corpo, mas o teu corpo é o que faz possível tu seres tu. Para de o odiar, para de o humilhar, para de fazer body shaming a ti mesma.

Aceita a diferença

Exercício mental: quão horrível seria se fôssemos todos idênticos? Não achas que o mundo é lindo pela sua diversidade? Quando viajamos, fazemo-lo para viver diferenças culturais, ou para ver diferentes paisagens e climas, certo? Então, porque sentimos que temos de nos formatar ao standard de beleza da moda? Para de te comparar a outros – é tóxico, perigoso, e autodestrutivo – e de fazer body shaming a ti própria no processo.

Valoriza as tuas peculiaridades

Essas sardas são tuas. O cabelo rebelde é teu. A covinha solitária na bochecha é tua. Essa cicatriz é tua. E essa mancha de nascença? Sim, também é tua. Há coisas em ti que podem fugir à norma, e podem ser vistas como indesejáveis por certas indústrias tóxicas, mas isso não significa que o são. São uma parte de ti, e uma parte da tua aparência. São as tuas peculiaridades! E todo e quem, direta ou indiretamente, te fizer sentir mal acerca de alguma coisa no teu corpo que tu não podes mudar está a fazer-te body shaming. Assim, não sejas esse tipo de pessoa para ti mesma.

Olha para ti de outra perspetiva

Quando estás casualmente na rua, pensas “eww” quando olhas para pessoas aleatórias? Não. Será que olhas para uma pessoa e decides que ela tem menos valor por ser “feia”, “magra”, “gorda”, ou qualquer outra característica física? Pois, bem nos parecia, não. Então porque olhas para ti dessa forma? Tenta, por um momento, olhar para ti como se tu fosses um estranho na rua: quão indignada te sentirias se visses alguém a dizer coisas tão horríveis a alguém que não és tu, mas que se parece a ti? Como podes abominar o body shaming mas depois infligi-lo a ti própria? Há aqui muito no que (re)pensar.

Não uses maquilhagem para esconder, usa-a para realçar

Usar ou não usar maquilhagem é um tópico complicado. Há muitas opiniões e gostos, mas os únicos que importam são os teus. Gostas de usar maquilhagem? Faz-te sentir bem? É uma forma de arte e de expressão para ti? Se sim, então, usa e abusa. Ou será que, por outro lado, sentes que pôr maquilhagem é uma obrigação? Sentes que tens de esconder ou alterar a tua cara? Sentes que é uma forma de body shaming? Então, por favor, não uses. É tão simples como: faz o que te deixa confortável, não escondas a tua cara. Em vez disso, usa maquilhagem para realçar as tuas melhores características – ou não, se não quiseres. Mas, sobretudo, fá-lo por ti e para ti.

Foca-te na saúde

Conversa séria: para de fazer body shaming a ti própria e começar a aceitar-te como és não significa que não possas trabalhar para seres a melhor versão de ti própria. Sim, podes e deves fazer exercício – ainda que o teu objetivo seja emagrecer. Não há nada de errado com querer perder peso, por exemplo, tal como não há nada de errado com não querer perder peso. Toda a gente devia viver uma vida tão saudável quanto possível: comer bem, dormir o suficiente, fazer exercício, ter uma vida social saudável, e por aí fora. O resto é conversa!

Escolhe bem a mensagem a que te queres expor nas redes sociais

As redes sociais são perigosas, como tu tão bem sabes. O problema é que na grande parte dos casos, o body shaming nas redes é sorrateiro: raramente é abertamente declarado, move-se furtivamente, e esconde-se numa miríade de micro-agressões. E apesar de não haver muito que se possa fazer para acabar com ele, podes obviamente não lhe dar palco. Pela tua saúde mental, para de seguir aquelas páginas que te fazem sentir que não vales nada, e que tens de ser outra pessoa. Dedica o teu tempo nas redes a páginas e pessoas que te podem ajudar a aprender, crescer e a ser mais feliz.

Pratica body-positivity e autoafirmação

Não é fácil passar de te odiares a amares-te. De facto, é muito mais fácil sentires ódio por ti própria. O amor requer compreensão e compaixão, paciência e generosidade, requer saber perdoar e quando seguir em frente. No entanto, a recompensa é incrível! Muda a forma como falas contigo mesma. Em vez de “fico mesmo feia neste vestido”, diz “este vestido não me faz sentir confiante”. Em vez de “o meu cabelo está terrível”, diz “hoje vou fazer um penteado diferente”. E claro, cada vez que te sentires bem e confiante, di-lo bem alto! “Estou bonita”, “sinto-me bem”, “estes sapatos realçam as minhas pernas”. Se mudares as palavras (e pensamentos) que direcionas a ti mesma, é mais fácil começar a mudar a forma como te vês.

Take care. Of your planet. Of your body. Of your soul. Take care of yourself.

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